terça-feira, 10 de março de 2009

Para sempre em minha lembrança

Achei uma foto dele no meu caderno. Uma foto em preto e branco, fora de esquadro, pouco iluminada, tirada por ele mesmo, pude perceber isso pela posição dos braços na fotografia. Exibia ele deitado num sofá, focalizando o rosto e uma grande parte do tórax. Usava uma camisa preta, ou outra cor mais escura, não pude ter certeza, já que a foto era numa escala de cinzas. Tinha uma expressão séria, os olhos apertados tentando se proteger do sol ou qualquer outra fonte de luz artificial. Os olhos eram azuis, eu sabia que eram, embora a foto mostrasse um tom de cinza prateado, eu sabia que seus olhos eram azuis.
Ele já tinha me olhado antes, e me olhava agora na foto. Aquele olhar me perfurando a alma, como se tivesse ali, me fitando em carne e osso. Maravilhosamente lindo, jogado naquele sofá...
Meu corpo estremeceu de saudades e uma vontade louca de revê-lo percorreu minha alma, senti um impulso de ligar para ele, perguntar como tinha passado e convida-lo para sair. Olhei pela janela da sala e vi que chovia, uma sensação gostosa me invadiu imaginando como seria bom te-lo como companhia para um filme, naquela hora. Sabia que se eu propusesse isso ele iria adorar a idéia, nós éramos duas crianças adultas que tinha um gosto parecido sobre vários aspectos, e considerar clima chuvoso propício para namorar seria um deles.
Mas mesmo ele adorando a idéia sabia que não viria, sabia que ele inventaria uma desculpa qualquer e não viria me ver, e no fundo, eu também achava melhor assim. Não queria alimentar esperanças e obriga-lo a me magoar outra vez.

3 comentários:

  1. Essas lembranças ;s
    Ameei o post :D

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  2. Muito bom minha flor...
    Gostaria de sentir a vida com esta intensidade...

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  3. Vanessa,um texto bem escrito,triste e lindo ao mesmo tempo.É dificil se preservar de não sofrer por amor!Bjs,

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