Ela chorava um amor não correspondido, ela chorava por não ser amada, ela chorava por amar o namorado da melhor amiga...
Quando visitava a amiga, em uma grande parte das vezes ela encontrava o garoto lá, sentado no sofá desbotado de sol, com as pernas largadas, o corpo meio torto, jogado ao lado, seus olhos turquesa refletindo a imagem da pequena TV. Ela evitava olhar-lo ao chegar, mas ele fazia questão de cumprimenta-la, olhando nos olhos. Ele sabia que ela o amava, e parece que sentia prazer ao vê-la ali, sofrendo. Então, dando um grande suspiro, como se quisesse inalar um pouco de coragem ela respondia seu cumprimento, com um breve “oi” solto bem firme para controlar o tom de lamento.
Em uma das vezes, ela entrou no quarto da amiga. Mirou o quadro de fotos onde as imagens retratavam o amor do casal. Tão felizes, tão sorridentes... se abraçando, se beijando... Uma das fotos estava quase caindo, atrás tinha alguma coisa escrita... ela pode ler o final da inscrição: “Te amo muito, minha princesa”.
Princesa... como ela sonhou que alguém, algum dia a chamasse assim...
Então ela foi embora, caminhou até sua casa com passadas largas, quase corridas, sentindo nauseante o coração bater nas costelas, e o choro doendo na garganta lutando para escapar pelos olhos.
Chegou em casa, seguiu correndo até o quarto, se jogou na cama e chorou, chorou o mais alto que pode, quase gritando, tentando eliminar pela boca aquela fúria que o ciúme lhe causara. Chorou até a cabaça doer, sentou na cama e sentiu uma leve tontura. Seu coração pulsava forte, condoído pelo próprio sofrimento. Então lembrou da explicação que teve no colégio sobre o coração... “o músculo mais potente do corpo humano”, o professor lhe explicara. “É o motor do ser humano, se parar, o resto do corpo também parará”. Então, ela colocou as mãos sobre o peito, e torceu para que as batidas diminuíssem, desacelerassem, se ausentassem por um momento, e então, parece de bater.
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